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Relembrar para não esquecer!



Sexta-feira, 13.04.07

A todos os que serviram Portugal nas ex-províncias ultramarinas

APRESENTAÇÃO

 

Cumprimento todos os camaradas ex-militares, que, tal como eu, foram obrigados a combater nas ex-provícias ultramarinas.

 

Chamo-me Inácio Silva. Tenho 59 anos e três filhos. Estive na Guiné, entre Abril de 1970 e Março de 1972, designadamente em Mansabá, na CART 2732, cujos militares, na sua maior parte, eram oriundos da Madeira, de onde sou natural e de onde, partimos em direcção à Guiné, no navio Ana Mafalda.

Passaram-se mais de 36 anos e nunca me tinha encontrado, em grupo, com os meus camaradas desde a desmobilização. Apenas me cruzei, esporadicamente com um ou com outro. É a vida!

 

Foi graças à Internet que consegui descobrir um ex-camarada de Leça da Palmeira, o Carlos Vinhal, co-editor do blogue Luis Graça & Camaradas da Guiné. Por força desse contacto, foi desencadeado um encontro com outros três ex-camaradas, o Pires, o Lourenço e o Gabriel, na casa do Lourenço, com um almoço organizado por este, durante o qual convivemos e revivemos episódios passados nos já longínquos 36 anos, em Mansabá, Guiné-Bissau.

 

Não obstante, continuo a procurar outros meus ex-camaradas, por onde quer que andem, porque todos temos que evitar que aquele período, embora negro, da história de Portugal, seja esquecido. Paralelamente a isso, o País tem uma dívida de gratidão para com as várias centenas de milhar de jovens que, naquela época, foram furtados às famílias, às escolas, aos empregos e ao seu meio ambiente para irem combater por uma causa, nascida da cegueira política e do orgulho da ditadura de então, muitos deles dando a sua vida ou ficando estropiados ou deficientes, ingloriamente.

 

Um dos temas que interessam a todos nós é o célebre CEP, Complemento Especial de Pensão, de que a Lei 9/2002 é patrona e que, diga-se, em abono da verdade, se fosse cumprida, na íntegra, de alguma forma os ex-combatentes sentir-se-iam compensados pelos prejuízos materiais e morais que resultaram do facto de, enquanto jovens, terem sido forçados a deixar a família, amigos, escola, emprego, meio social, etc., e colocados, contra a sua vontade, em terras longínquas, em guerra, durante períodos extremamente longos, sem verem a família: no meu caso, 23 meses!

 

Acompanhei toda a discussão, entre os políticos, acerca desta matéria e, até certo momento, pensei que, finalmente, se iria fazer alguma justiça, mas não; tal não aconteceu! Por isso, decidi intervir activamente...

 

Tenho, na minha posse, um parecer, aprovado, por unanimidade, pela Comissão Parlamentar de Defesa Nacional da Assembleia da República, formulado a partir de uma petição que eu próprio fiz, que considera que a Lei 9/2002 foi deficientemente regulamentada pelo D. Lei 160/2004, quando o Paulo Portas era Ministro da Defesa. O texto da Lei 9/2002, que fora aprovado, por unanimidade, na Assembleia da República foi, pois, reinterpretado, alterado e adulterado significativa e profundamente, dando origem ao famigerado D. Lei 160/2004.

 

Como a minha petição não podia ser levada a Plenário da Assembleia da República (por ter origem num só cidadão), foi aquivada. O certo é que temos, agora, um trunfo muito importante, que é o reconhecimento oficial da referida Comissão de Defesa, de que a Lei 9/2002 foi propositada, abusiva e deficientemente regulamentada pelo governo de então.

 

Finalizando, informo que é necessário fazer outra petição de teor idêntico, a apresentar à Assembleia da República, mas subscrita por 4.000 cidadãos, ex-militares ou não, por forma a que a Lei 9/2002 venha a ser efectivamente cumprida na íntegra.

 

Estou ao dispor de todos os camaradas militares e de todos os cidadãos que queiram subscrever esse abaixo assinado.



 

Links:

Petição à Assembleia da República: http://guerracolonial.blogs.sapo.pt/833.html

Parecer da Comissão Parlamentar de Defesa Nacional: http://guerracolonial.blogs.sapo.pt/1030.html

Pedido de intervenção da Provedoria de Justiça: http://guerracolonial.blogs.sapo.pt/1650.html

 



Veja este filme. Ele representa uma pequena homenagem aos ex-combatentes. Obrigado ao seu autor.


 


Autoria e outros dados (tags, etc)

por guerracolonial às 17:00


26 comentários

De Amélia Vaz a 14.04.2007 às 23:10

Concordo, inteiramente, com a vossa luta, pois acho que o país deve reconhecer os sacrifícios que todos os ex-combatentes fizeram ao serviço de Portugal. Poderemos não estar de acordo com a forma como os governos ditatoriais geriram a guerra colonial, obrigando centenas de milhares de jovens a irem para uma guerra que não queriam e sabiam que poderiam já não voltar... Outra coisa é reconhecer-se, urgentemente, antes que morram, que, pelo facto de terem servido a sua pátria, Portugal lhes deve reconhecer o serviço prestado duma forma exemplar: reduzindo o tempo de serviço para efeitos de reforma ou pagando-lhes um complemento, conforme determina a Lei 9/2002. Contem comigo para a vossa luta.

De garimpadas a 01.05.2007 às 06:33

O problema é que eu não servi o pais. O País é que se serviu de mim e nisto vai uma grande distância entre nós.
Estou cá para as curvas, não obstante.
JCM

De paulo santiago a 16.05.2007 às 21:57

Camarada Inácio
Conta comigo para assinar a Petição.Diz-me como
fazê-lo.
Paulo Santiago
ex-AlfMil do PELCAÇNAT 53

De paulo santiago a 16.05.2007 às 22:04

Camarada Inácio
Estou pronto para assinar a petição.Diz-me como
fazê-lo
Paulo Santiago
ex-AlfMil comandante do PELCAÇNAT 53

De Franklim Bastos a 17.06.2007 às 00:36

Acho boa ideia passar imediatamente às assinaturas.

De Carlos Honório a 02.08.2007 às 13:37

Boa tarde Amigo Inácio
Como é que posso contribuir com a minha assinatura para ver se este Pais nos reconhece e se nos compensa daquilo que nos foi tirado .
Um abraço
Carlos Honório

De guerracolonial a 02.08.2007 às 14:02

Caro Amigo e Camarada Carlos Honório:

Este é um processo, naturalmente lento, como, infelizmente, tudo é muito lento em Portugal. As diligências desencadeadas até agora e outras que se seguirão, têm sido no sentido de se evitar a recolha das 4000 assinaturas. Mas, se não houver outro remédio, é o que se tem que fazer. A seu tempo será publicitada a recolha, caso ela venha a ser necessária.
Este é um processo que só terminará com o cumprimento integral e escrupuloso da Lei 9/2002, aprovada por unanimidade pela Assembleia da República.
Jamais aceitarei que um Governo, seja ele qual for, altere, manipule e aldrabe o que foi aprovado pelos representantes do povo: os deputados. E, estes dever-se-iam sentir ofendidos na sua dignidade, por terem sido enganados e vigarizados pelo governo que publicou o D. Lei 160/2004, com um conteúdo (na parte mais importante) substancialmente diferente do que o que foi aprovado e tomarem a iniciativa de levar o assunto, de novo à Assembleia da República, reprovando a atitude do governo. Refiro que o D. Lei 160/2004 foi aprovado e publicado pelo governo do Dr. Durão Barroso, sendo o ministro da defesa, o famigerado Paulo Portas, que não foi coerente com o que andou a apregoar...Mas, como já deu para perceber, alguns políticos nunca serão nada na vida, porque, como diz o ditado, é mais fácil apanhar um mentiroso que um coxo.

Inácio Silva

De Amaro Munhoz Samúdio a 04.07.2008 às 20:13

Caro Inácio Silva
Não existe um único,dos teus argumentos,que possa ser possa ser posto em causa.Então a contagem do tempo de serviço para efeitos de reforma não é justo?O complemento especial de pensão não é justo?Até o estabelecimento de uma pensão vitalícia mínima seria de toda a justiça.Os anos de juventude que nos tiraram as oportunidades perdidas os estudos interrompidos as famílias destruidas já para não falar no sofrimento que uns miúdos,nascidos na geração errada,passaram.
As consequências para geração dos ex-combatentes ainda não está,para além das evidentes,totalmente analisada.Depois de ler o teu pedido de Intervenção tomei a iniciativa de escrever a alguns Partidos(existem uns que não vale a pena) com representação Parlamentar para chamarem o assunto ao Plenário.Não deve dar nada.
Continua
Um Abraço
A.Samúdio

De Amaro Munhoz Samúdio a 21.07.2008 às 03:13

Assim é muito difícil qualquer coisa.É como diz o Povo "chover no molhado".
Tentei escrever-te.Nada? Tentei dar sugestões.Nada? Tentei através dos diversos e-mailsl.Nada?
Como queres conseguir as 5.000 assinaturas.Se conseguires óptimo!
Um Abraço
A.Samúdio

















































De Amaro Munhoz Samúdio a 21.07.2008 às 03:17

Assim é muito difícil qualquer coisa.É como diz o Povo "chover no molhado".
Tentei escrever-te.Nada? Tentei dar sugestões.Nada? Tentei através dos diversos e-mailsl.Nada?
Como queres conseguir as 5.000 assinaturas.Se conseguires óptimo!
Um Abraço
A.Samúdio

















































De Joao Lobo a 16.06.2009 às 23:41

O ex 1' Cabo Joao Lobo gostaria de saber o paradeiro do Tenente Medico especialista maxilo-facial que o observou no Hospital Militar Principal de Luanda entre a primeira e segunda semana de Janeiro de 1974 em que o ex militar rejeitou o internamento regressando com o relatorio passado pelo respectivo especialista. O medico insistiu imenso para que fosse internado mas a ansiedade de regressar levou a recusa.

De Anónimo a 05.09.2007 às 13:44

Penso que poderiam coexistir as 2 alternativas e assim seria mais justo:
-- O complemento especial de pensão (CEP) para aqueles ex-combatentes que já estão reformados ou para aqueles que, ainda não estando reformados, optassem por esse complemento;
-- ou, em alternativa, que esse tempo de serviço prestado nas ex-colónias, fosse abatido ao tempo de serviço necessário para obter o direito à reforma.
===== Estou disponível para ser um desses 4 000 assinantes para nova petição. Força! Coragem!
(J. Guerreiro - ex-combatente em Angola de 1971-1973.)

De Rogério Rodrigues Nogueira a 30.12.2007 às 20:08

Ditosa PÁTRIA, jámais esqueças quem teu NOME bem longe levou, até com o SACRIFÍCIO DA PRÓPRIA VIDA...
Actualmente é vulgo ver-se quem ludribia a PÁTRIA ser indemnizado...
Não creio a PÁTRIA olvidar os seus.
FORÇA. É preciso dar continuidade ao esforço desenvolvido até agora.
Cordial abraço.
Ex-combatente em Moçambique e Angola

De Jose Trindade Canhão a 11.01.2008 às 10:43

Sou mais um dos que apesar de ter entregue o requerimento a solicitar o complemento de pensão em Maio de 2005 , até hoje não tive qq resposta, isto e apesar de ter conhecimento de que camaradas amigos, terem entregue o requerimento depois de mim e aos quais já foi pago o respectivo complemento.
Hoje ao tentar recolher dados para começar a inquirir quem de direito, vi na Net o seu blog do camarada Inácio Silva.
Li e abri todos os links .
Fiquei altamente surpreendido pela positiva e foi-me possivel colher informação que desconhecia.
Pela minha parte, pretendo colaborar na assinatura da petição, caso eventualmente esta tenha sido lançada e transmitir-lhe todo meu apoio e solidariedade. Diga como!
Esta causa não pode ser descurada pelo "poder", em respeito dos combatentes, de que o país se serviu.
Um abraço
José Trindade Canhão
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Sou mais um dos que apesar de ter entregue o requerimento a solicitar o complemento de pensão em Maio de 2005 , até hoje não tive qq resposta, isto e apesar de ter conhecimento de que camaradas amigos, terem entregue o requerimento depois de mim e aos quais já foi pago o respectivo complemento. <BR>Hoje ao tentar recolher dados para começar a inquirir quem de direito, vi na Net o seu blog do camarada Inácio Silva. <BR>Li e abri todos os links . <BR>Fiquei altamente surpreendido pela positiva e foi-me possivel colher informação que desconhecia. <BR>Pela minha parte, pretendo colaborar na assinatura da petição, caso eventualmente esta tenha sido lançada e transmitir-lhe todo meu apoio e solidariedade. Diga como! <BR>Esta causa não pode ser descurada pelo "poder", em respeito dos combatentes, de que o país se serviu. <BR>Um abraço <BR>José Trindade Canhão <BR class=incorrect name="incorrect" <a>Ex-2º</A> Sarg Mil. CC 2611 - Angola 69-72 <BR>

De Antonio Carlos Paiva de Oliveira a 18.03.2008 às 12:01

ola,bem haja,amigo<amigos,andava eu pla internet,quando entrei,na vossa pagina,vi e, li tudo com atencao,o que mais me chocoufoi a palavra <Pensao,pra nos ex soldados<que vergonha meu deus, o senhor Paulo Portas< chma a isto uma pensao?e este o preco a pagar,aqueles que hoge esta a sofrer?estas milhares e milhares,e milhares,que hoje sofrem com o stes de guerra? e assim que o nosso governo nos ajuda? e os famaliares? sabe amigo,fasem-se tantas greves,,,,,e por qual a rasao,que nao se fas uma manifesto daqueles de faser parar o transito a nosso favor? eu com a idade que tenho nunca fui a favor de greves,mas a greves que sao muito bem feitas,e acho que para nos se devia faser qualquer que se vise,pois estamos a ficar esquecidos.amigo com tudo isto nao me apresentei,pois com deve ter ja visto sou um ex soldado. estive com o Batalhao de Cavalaria 1927-Companhia 1774,terceiro grupo de combate,que nos anos 67-69 esteve em Nambuangongo,pecori toda a zona de Nambuangongo e nao so,estive sempre no mato,mais tarde fomos pra Calomboloca,e Bom jesus sempre no mato, eu sei o que foi sufrer, sei dar o valor a tudo quanto nos sofrmos,e quanto ainda estao a sofrer sertos ex companheiros,e seus famaliares,eu felismente,por encuanto sintome bem,mas a outros companheiros que estao a sofrer com o stres de guerra,a estas quem os ajuda?e essa reforma que o senhor Paulo portas,com tanto orgulho fes?me desculpem amigos,fomos pra guerra enganados,e enganados estamos,ate quando? eu nao sou a favor de greves,pois tudo se deve resover,falando,mas,temos que faser alguma coisa que faca parar o transito,para que assim,nos posam,avaliar,e dar o respectivo valor,o valor que todos os ex soldados devem ter.amigo aproveito este momento,pra tentar encontrar,ex colegas que comigo estiveram en Nambuangongo,calomboloca e bom jesus,aqui fica o meu emmel--toinooliveira@hotmail.com----um grande abraco pra todos ex companheios que estiveram nas africas e seus famaliares,e uma Santa Pascoa pra todos----oliveira

De carlos Santos Sobral a 25.03.2017 às 17:04

Estive em angola no batalhao cavalaria estremos 1927 em angola 1969. 1969 sou o sobral fui ferido em combate num petrulhamento ao rio zenza no dia 10 de novembro de 69 as 9'30 da manha em que na mesma emboscada morreu o pissara isto a quatro dias do final da comissao pois vim evaquado para o hospital da esyrela na qual estive cerca de um ano pois sou dificiente das forcas armadas mas sofremos muito a zona era muito perigosa zona de guerrilheiros inimigos mpla nambuagongo pedra verde morro da vinganca mata do cafe canacassala beira baixa bico do pato um abrasso a todos os valentes camatadas e aqueles que me ajudarao a evaquar para o hospital militar de luanda

De guerracolonial a 25.03.2017 às 22:31

O camarada Sobral, ao fim de tantos anos decorridos depois da sua evacuação, por ferimentos em combate, em Angola, entendeu vir agradecer, publicamente, a todos os camaradas que o ajudaram naqueles momentos tão difíceis.
É um gesto de humildade e de simpatia que fica aqui registado.
Ao camarada Sobral, desejo-lhe que tenha a vontade e a força de saber conviver com a sua deficiência, esperando, sempre, que surjam melhorias no seu estado de saúde, por forma a aumentar a sua qualidade de vida.
Um abraço de amizade.
Inácio Silva

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